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Técnico do CTDR coordena sonorização e gravação de shows em projeto de produção musical

Iniciativa visa capacitar músicos e aperfeiçoar produção cultural na Paraíba
publicado: 27/03/2024 16h55, última modificação: 27/03/2024 16h55

O técnico de áudio do Centro de Tecnologia e Desenvolvimento Regional (CTDR) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) José Marcelo de Andrade Pereira está coordenando a sonorização e a gravação de shows em projeto de produção musical no Departamento de Música da federal paraibana. A iniciativa, executada na Sala de Concertos Radegundis Feitosa, no campus-sede da UFPB, em João Pessoa, visa capacitar músicos e melhorar a produção cultural no Estado.

“A Radegundis não é um estúdio de gravação. Portanto, tive que avaliar suas características acústicas, fazer inúmeros testes com os equipamentos disponíveis e propor soluções. Além disso, planejar cabeamento, escolher microfone apropriado para cada instrumento, a fim de captar, da melhor maneira possível, os sons que produzem. A bateria, por sinal, teve que ficar em uma sala fechada, para não reverberar tanto sobre os demais instrumentos”, explica Zé Marcelo, como prefere ser chamado.

As atividades do projeto de extensão, sob coordenação geral do professor do Departamento de Música e coordenador do Laboratório de Guitarra Elétrica e Música Universal (LGEMU) Anderson Mariano, tiveram início no final de fevereiro e serão concluídas na primeira quinzena de maio. Além desse trabalho de sonorização e de gravação, ocorrerá, ainda, o processo de pós-produção, que envolverá edição, mixagem, masterização e upload das músicas gravadas em plataformas de streaming de áudio.


No projeto, Zé Marcelo, técnico de áudio do CTDR da UFPB, é responsável pela orientação técnica dos trabalhos de captação e gravação. Crédito: LGEMU/UFPB

Anderson Mariano destaca o caráter interdepartamental do projeto, que conta com a participação de vários departamentos da UFPB. “Queremos criar um programa de extensão com vários projetos correlacionados. Hoje, o projeto está funcionando como um curso. Haverá uma nova edição a cada semestre. E uma mais longa, de cinco semestres, com mais densidade teórica e prática, até conseguimos criar uma graduação de Produção fonográfica ou Produção musical ou Engenharia de áudio ou Design de som”, brinca com as possibilidades de nomenclatura.

Antes desta parte prática do curso, houve preparação com aulas teóricas de microfonação e para aprender a manipular mesa de som com 32 canais e alguns softwares. “É uma simulação de show ao vivo. Improvisamos e atuamos para que o som chegue de forma equilibrada para o público, músicos e ouvintes, assim bem como por meio de uma gravação com qualidade”, conta o professor Anderson Mariano.

Para a continuidade do projeto, Zé Marcelo gostaria que houvesse mais investimentos. “Precisamos de mais estrutura, de novos materiais e equipamentos, de programas e de componentes eletrônicos e de peças de computador, mais variedade de microfones e, quem sabe, montar um estúdio próprio, que poderá ser utilizado não só por estudantes da UFPB, mas, também, por músicos profissionais paraibanos. Com o que temos hoje, é um trabalho quase que heroico”.

Com projeto arquitetônico de estúdio na manga, algo que pode acelerar a criação do bacharelado em Produção fonográfica ou Produção musical ou Engenharia de áudio ou Design de som, na UFPB, é a iminente abertura de uma outra graduação, a de Música Brasileira Popular, devido à similaridade dos componentes curriculares e de estrutura física.

Divisor de águas

Para esta edição do curso, foram abertas três vagas para a comunidade interna e externa. Giancarlos Santos, Ícaro Ferreira e Luna Daniel foram os selecionados. Giancarlos está no 5º período do curso de Música, com habilitação em piano. Para ele, o projeto está sendo um divisor de águas, principalmente porque já trabalha profissionalmente com produção musical.

“Vivenciar todo o processo de produção, o antes e depois do show, o momento da gravação, é muito importante nessa vivência, porque amplia nossos conhecimentos. Quero levar esse saber para fora da universidade, de um jeito profissional, mostrar como se monta um palco, como deve ser a produção de uma música, ensinar a trabalhar em grupo, a lidar com diferentes pessoas e profissionais. Na música, é assim, você está sempre aprendendo”, diz o estudante.

Giancarlos também está surpreso com os ganhos que o conhecimento em microfonação pode proporcionar. “Com poucos equipamentos, cria-se um som gigante. Você, com três microfones, pode microfonar uma bateria e ter um som como se toda a bateria estivesse amplificada”. Ícaro Ferreira também está no 5º período do curso de Música, só que com habilitação em trombone. Ele também pretende disseminar o que está aprendendo no curso, na escola na qual atua, no município de Lucena, no Litoral Norte paraibano.


Um dos desafios na sonorização e gravação de shows é operacionalizar mesa de som com 32 canais. Crédito: LGEMU/UFPB

No 2º período de Línguas Estrangeiras Aplicadas a Negociações Internacionais, Luna Daniel tem a tarefa de ensinar inglês na área de design sonoro, para quem faz o curso. “Os programas de edição, de mixagem e de masterização são em inglês. O mercado da música é em inglês. Tutoriais, networking, tudo é em inglês. É uma área muito global. Logo, saber inglês pode abrir muitas portas. Morei no Canadá, isso me deu fluência. Eu também sou musicista, toco bateria, guitarra, violão, piano e, agora, mexo com produção musical”.

Nesse sentido, Luna Daniel é imprescindível para ações de internacionalização. Comumente, o Departamento de Música da UFPB recebe músicos de fora, como os da Universidade de Örebro, na Suécia, com a qual há várias parcerias.

Oportunidade

Para a gravação das músicas, nesta edição experimental, foram convidados estudantes de Música da UFPB que estão concluindo graduação. Nas próximas, a ideia é elaborar um calendário e divulgar uma chamada pública.

Há três semanas, especificamente no dia 7 de março, foi realizada uma prática de gravação com o grupo VotiSound, formado pelos músicos Pedro Francisco, Nina Graeff, Adrielly Oliveira, Ivo Limeira e Daniel Araújo. Na ocasião, foram gravadas as canções “Feira de Tibiri”, “Rumbossa” e “Cinza”, composições de autoria dos membros da banda.


Captação dos instrumentos e das vozes dos músicos do grupo VotiSound teve atenção especial. Crédito: LGEMU/UFPB

Pedro Francisco e Adrielly Oliveira gostaram muito de gravá-las e ficaram bastante agradecidos pela oportunidade. O grupo surgiu, inclusive, para essa tarefa, a fim de unir as composições de seus projetos individuais, com suas particularidades e traços.

“Se tiver de novo, a gente vem de novo. O mais difícil para mim foi meu ouvir e ouvir os outros”, revela Pedro Francisco. “Tem o lance do tempo apertado, mas é uma experiencia massa demais”, reconhece Adrielly Oliveira. Eles pretendem lançar as gravações e fazer se apresentarem juntos no segundo semestre deste ano.


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Texto: Pedro Paz
Edição: Pedro Paz